Sobre a Obra


As Crônicas de um Coiote sem Fígado são relatos quase verídicos de um homem que é vários homens. O Coiote sem Fígado é imortal, mas os vários sujeitos que lhe dão vida estão ou vão estar mortos. Seus relatos são tão fiéis à realidade quanto a memória de um bêbado é capaz de recordar. As coisas não aconteceram necessariamente deste modo, mas é assim que foram e serão lembradas. Os nomes são falsos, mas as histórias são verdadeiras. E são absurdas.
Uma saga construída em episódios aparentemente desconexos, fruto de uma mente desconexa. Ainda assim, conforme a história segue podemos perceber que ela nos guia a algum lugar. Uma caminhada que ostenta a calma dos inconsequentes e a persistência dos obsessivos, traçada pelos pés de um personagem que devora a realidade à sua volta como um grande buraco negro; com passadas cambaleantes porém determinadas de alguém que sabe que caminha para ser devorado. Um grande predador que sabe que, em seu ocaso, tornar-se-á presa. Que tem em sua resiliência o maior instrumento de sua revolta.
O Coiote sem Fígado é hora jovem, hora um velho. Mas não há linearidade. Em alguns momentos  ele é rico, em outros é um indigente. Em todas as passagens, ele é um bêbado. E, como a visão de um bêbado, sua história é contada de maneira turva e caótica. Porém, é possível ver como o personagem percorre o tempo e o espaço na construção de sua identidade, sintetizada em sua atitude descrente e, ao mesmo tempo, apaixonada; que o lança num movimento incompreensível, mas assustadoramente sensível.
Este é um livro virtual, escrito on line, construído e publicado em partes. Isso significa que nem mesmo o autor saberá o fim da história até que ela esteja totalmente publicada. Todos os contos são narrados em primeira pessoa, embora isso não signifique que o autor foi a pessoa que vivenciou os fatos descritos. Os rumos da trama serão traçados conforme os relatos colhidos pelo autor em sua pesquisa pelas muitas faces do Coiote sem Fígado; pois ele está em todos os decaídos que, embriagados, perambulam pelas entranhas de um mundo que só existe para os que enxergam por olhos descrentes e que está entranhado na alma daqueles que não percebem sua existência; fazendo com que todos sintam a pulga atrás da orelha quando suas mentes, atemorizadas, forjam diante de si um mundo perfeito.
É uma obra sobre absurdos reais, loucuras sensatas e, principalmente, sobre sorrisos sinceros de bocas desdentadas.

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